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6 de Nov de 20195 min
Trata-se do episódio mais famoso – e controverso – do êxodo hebreu.
Ao ler a Bíblia em hebraico, é possível notar que a palavra "vermelho" foi traduzida de forma errada. Nesta versão, Moisés e seu povo cruzam o "yam suph", ou "mar de junco (tipo de planta)".
"Esta é uma história estranha. Você pode imaginar que cruzar o Mar Vermelho seria uma tarefa muito difícil, mas fazer o mesmo em um mar de junco seria algo bem diferente. Esta é uma área de pântano e é provavelmente o local da travessia", diz o egiptólogo David Rohl, ex-diretor do Instituto de Estudos de Ciências Interdisciplinares e autor de Êxodo: Mito ou História (Thinking Media Man, 2015).
Mas como explicar o relato de que o mar teria retornado a seu estado original e afogado os soldados do faraó?
"Se estamos falando de um pântano raso composto por juncos, haveria ali no máximo dois ou três metros de profundidade. Então, este tipo de fenômeno seria fisicamente possível", afirma Rohl.
"Na verdade, isso já foi testemunhado nos últimos cem anos. O exército egípcio pode não ter sido completamente dizimado. Muitos cavalos teriam morrido e as bigas ficado presas na lama."
Mas e quanto à famosa imagem do cânion formado pela elevação da água? Isso teria qualquer correspondência na realidade?
Simulações da erupção de Santorini mostram que o colapso da ilha gerou um enorme tsunami de 182 metros de altura, que viajou a 640 km/h.
O geólogo e especialista em tsunamis Floyd McCoy, da Universidade do Havaí, nos Estados Unidos, diz que essa foi uma das maiores ondas já registradas na história e provavelmente atingiu o Egito.
"Acredite ou não, encontramos evidências dela no fundo do oceano. Tsunamis de fato rasparam o fundo do Mediterrâneo e moveram sedimentos. Podemos encontrar estes sedimentos – e isso nos dá uma ideia de sua direção", diz McCoy.
"Um modelo computacional nos mostrou ondas irradiando por todo o Mediterrâneo e atingindo o delta do Nilo."
“E os filhos de Israel entraram pelo meio do mar em seco; e as águas foram-lhes como muro à sua direita e à sua esquerda.” Êxodo 14:22
A partir deste versículo, a Tradição Oral e o Talmude descrevem uma cena bem diferente da maioria das versões pintadas em quadros e trabalhos artísticos, e mesmo dos filmes sobre o tema, do cinema moderno.
O texto indica que a passagem criada por Deus, no Mar vermelho, não foi uma avenida larga como costuma ser retratado, mas o caminho deveria ter sido o suficiente para cada Israelita, “como muro à sua direita e à sua esquerda”.
Se realmente a travessia do Mar Vermelho aconteceu assim, outra importante mensagem surge dos versos deste texto bíblico. Embora houvesse milhares de pessoas, uma multidão, cada Israelita entrou no mar sozinho, um após outro.
A coragem para caminhar em direção ao desconhecido é algo individual. Embora a passagem pelo mar é um evento público, o nascimento de uma nação, ainda assim cada Israelita experimenta, através daquelas águas, seu próprio renascimento pessoal.
2 Diga aos israelitas que voltem e acampem em frente de Pi-Hairote, entre Migdol e o mar Vermelho, perto de Baal-Zefom.
3 Assim o rei do Egito vai pensar que os israelitas estão andando sem rumo, perdidos no deserto.
4 Eu farei com que o rei continue teimoso e persiga vocês. Então eu derrotarei o rei e o seu exército, mostrando assim o meu poder. E os egípcios ficarão sabendo que eu sou Deus, o Senhor.
E os israelitas obedeceram.
5 Quando contaram ao rei do Egito que os israelitas tinham fugido, ele e os seus funcionários mudaram de ideia e disseram:
— Vejam só o que fizemos! Deixamos que os nossos escravos, os israelitas, fugissem de nós!
6 Então o rei mandou preparar o seu carro de guerra e o seu exército.
7 Ele saiu com todos os carros de guerra, incluindo os seiscentos melhores, que eram comandados pelos seus oficiais.
8 O Senhor fez com que Faraó, rei do Egito, continuasse teimando, e ele foi atrás dos israelitas, que estavam saindo de maneira vitoriosa.
9 Os egípcios, com todos os seus cavalos, carros de guerra e cavaleiros, saíram atrás dos israelitas e os alcançaram onde eles estavam acampados, na beira do mar Vermelho, perto de Pi-Hairote e de Baal-Zefom.
10 Quando os israelitas viram o rei e o seu exército marchando contra eles, ficaram apavorados e gritaram pedindo a ajuda de Deus, o Senhor.
11 E disseram a Moisés:
— Será que não havia sepulturas no Egito? Por que você nos trouxe para morrermos aqui no deserto? Veja só o que você fez, nos tirando do Egito!
12 O que foi que lhe dissemos no Egito? Pedimos que nos deixasse em paz, trabalhando como escravos para os egípcios. Pois é melhor ser escravo dos egípcios do que morrer aqui no deserto!
13 Porém Moisés respondeu:
— Não tenham medo. Fiquem firmes e vocês verão que o Senhor vai salvá-los hoje. Nunca mais vocês vão ver esses egípcios.
14 Vocês não terão de fazer nada: o Senhor lutará por vocês.
15 O Senhor disse a Moisés:
— Por que você está me pedindo ajuda? Diga ao povo que marche.
16 Levante o bastão e o estenda sobre o mar. A água se dividirá, e os israelitas poderão passar em terra seca, pelo meio do mar.
17 Eu farei com que os egípcios fiquem ainda mais teimosos, e eles entrarão no mar atrás dos israelitas. E eu ficarei famoso quando derrotar o rei do Egito, todo o seu exército, os seus carros de guerra e os seus cavaleiros.
18 Quando eu derrotar os egípcios, eles saberão que eu sou Deus, o Senhor.
19 Então o Anjo de Deus, que ia na frente dos israelitas, mudou de lugar e passou para trás. Também a coluna de nuvem saiu da frente deles e foi para trás,
20 ficando entre os egípcios e os israelitas. A nuvem era escura para os egípcios, porém iluminava o povo de Israel. Assim, durante a noite inteira, o exército egípcio não conseguiu chegar perto dos israelitas.
21 Moisés estendeu a mão sobre o mar, e Deus, o Senhor, com um vento leste muito forte, fez com que o mar recuasse. O vento soprou a noite inteira e fez o mar virar terra seca. As águas foram divididas,
22 e os israelitas passaram pelo mar em terra seca, com muralhas de água nos dois lados.
23 Os egípcios os perseguiram e foram atrás deles até o meio do mar com todos os seus cavalos, carros de guerra e cavaleiros.
24 Logo antes de amanhecer, da coluna de fogo e de nuvem o Senhor olhou para o exército dos egípcios e fez com que eles ficassem apavorados.
25 Os carros de guerra andavam com grande dificuldade, pois Deus fez com que as rodas ficassem atoladas. Então os egípcios disseram:
— Vamos fugir dos israelitas! O Senhor está lutando a favor deles e contra nós.
26 Então o Senhor Deus disse a Moisés:
— Estenda a mão sobre o mar para que as águas voltem e cubram os egípcios, os seus carros de guerra e os seus cavaleiros.
27 Moisés estendeu a mão sobre o mar, e, quando amanheceu, o mar voltou ao normal. Os egípcios tentaram escapar das águas, porém o Senhor os jogou dentro do mar.
28 As águas voltaram e cobriram os carros de guerra, os cavaleiros e todo o exército egípcio que havia perseguido os israelitas no mar. E não sobrou nenhum egípcio com vida.
29 Mas os israelitas atravessaram o mar em terra seca, com muralhas de água nos dois lados.
30 Naquele dia o Senhor salvou o povo de Israel dos egípcios, e os israelitas os viram mortos na praia.
31 Quando viram o poder com que o Senhor havia derrotado os egípcios, os israelitas o temeram. E creram em Deus, o Senhor, e no seu servo Moisés.